Explosões e arrombamentos a agências bancárias em diferentes regiões de Pernambuco motivaram a realização de uma audiência pública na Alepe, promovida pela Comissão de Desenvolvimento Econômico, nesta quarta. O solicitante do encontro foi o deputado Antônio Moraes, do PSDB. O parlamentar chamou a atenção para a necessidade de mais bancos no interior do estado. Segundo ele, há regiões inteiras atendidas por uma única agência que, se destruída, deixa a população sem alternativa. “Não dá pra se ter em uma região uma agência para atender a demanda de toda uma população. E a verdade é que ninguém consegue viver hoje sem uma agência bancária.”
Já o superintendente estadual do Banco do Brasil, Nacib da Silva, defendeu a atual distribuição de agências em Pernambuco. “O PIB do Estado, 64% dele está concentrado aqui na Região Metropolitana aqui do Recife. Ou seja, a geração de riqueza está, preponderantemente, aqui. E na composição das nossas agências, apenas 51 agências, ou seja, 28% da nossa rede está aqui na Região Metropolitana; 133 estão distribuídas pelo interior do Estado, muitas delas na condição de agências pioneiras.”
O Secretário de Justiça e Direitos Humanos, Pedro Eurico, cobrou medidas rígidas dos bancos no que se refere à segurança. “Recebem rigorosamente indenização pelos danos e porque não adquirir equipamentos ultra modernos, que existem hoje, para a destruição das cédulas?” Em resposta a Pedro Eurico, o gerente regional de segurança física da Caixa Econômica Federal, Saulo Pessoa, destacou que a empresa já adota estratégias para combater a criminalidade. “Nós desenvolvemos a abertura remota. O nosso empregado hoje não porta chave para abrir a agência.”
A legislação federal que regulamenta o sistema financeiro foi alvo de críticas do Secretário Estadual da Defesa Social, Ângelo Gioia. Para ele, a lei deve ser mais firme e impor ações efetivas de segurança para os bancos. “É uma legislação que hoje, pela atuação desses grupos criminosos, não favorece a atuação das polícias. Nós temos, há mais de 20 anos, equipamentos, dispositivos mecânicos e eletrônicos, que tirariam o atrativo dessa ação de grupos criminosos, que não são usados, pelo menos em larga escala, em território nacional.”
O representante do Sindicato dos Bancários, João Rufino, lamentou que a gestão municipal não coloca em prática leis em vigor na cidade do Recife. “Preferem não cobrar que os bancos coloquem também os vidros blindados, que são exigência da lei, e a quantidade de vigilantes adequada ao tamanho da agência.” Assim como Rufino, o presidente do Sindicato de Carros Fortes, Cláudio Mendonça, também pontuou que a solução para os assaltos depende de melhores condições de trabalho para vigilantes. “Além da troca de armamento, lutamos em conjunto com a Constrasp e a Fintrave pela obrigatoriedade de estipular um número mínimo de vigilantes guardando as bases de valores.”
Em 2015, Pernambuco registrou 34 ataques a caixas eletrônicos. Já em 2016, foram 40. Um aumento de 17%, segundo o deputado Joel da Harpa, do PTN, que também participou do debate.
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